Planejamento Sistêmico e Cobenefícios em Governador Celso Ramos,SC
Sobre o projeto
- Em andamento
- Equipe:
Fábian Grei Machado
José Ripper Kós - Publicações:
Planejamento Sistêmico e Cobenefícios: Proposta de Integração das Ações do Poder Público Municipal em Governador Celso Ramos-SC. Tese de Doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina, 2026 (em andamento).
Uma transformação efetiva da forma como concebemos nossas cidades exige mudanças de paradigmas extremamente Este trabalho investiga a aplicação de uma abordagem sistêmica para identificar cobenefícios decorrentes das ações e despesas da Prefeitura Municipal de Governador Celso Ramos (SC), tendo como dimensão complementar a análise das sinergias entre políticas públicas, com foco na promoção do desenvolvimento urbano sustentável. O município da região metropolitana de Florianópolis apresenta características ambientais relevantes e uma dinâmica socioeconômica em transformação, marcada pela transição de uma economia tradicionalmente pesqueira para outra com crescente predominância das atividades imobiliárias e turísticas. Esse processo, associado à rápida expansão urbana, configura um contexto para análise, no qual ativos ambientais, sociais e culturais encontram-se sob crescente pressão.
A pesquisa fundamenta-se na compreensão de que modelos setoriais de planejamento são insuficientes para lidar com a complexidade urbana contemporânea, sendo necessária a adoção de abordagens capazes de integrar políticas públicas e potencializar seus efeitos. Nesse sentido, utiliza-se a Plataforma Ecossistemas das Cidades, desenvolvida no âmbito do Laboratório de Ecologia Urbana (LEUr-UFSC), como instrumento analítico para avaliar o grau de integração sistêmica das iniciativas municipais. Os quinze eixos temáticos da Plataforma (Água, Atmosfera, Biodiversidade, Solo Natural, Educação, Equidade, Moradia, Resiliência Socioambiental, Saúde e Bem- Estar, Consumo e Descarte, Economia, Energia, Governança e Mobilidade) estruturam a análise, permitindo examinar as interações entre os sistemas físico, construído, socioeconômico e ecológico. Para tanto, são utilizados dados institucionais referentes ao ano de 2022, abrangendo ações orçamentárias e indicadores municipais.
Os resultados preliminares evidenciam a centralidade do saneamento básico, especialmente da ampliação e tratamento da rede de esgoto, como elemento estruturante para o desenvolvimento sustentável local. Além disso, destacam-se políticas como a alimentação escolar e o transporte coletivo, cuja análise revela a geração de cobenefícios, ao produzir efeitos positivos simultâneos em diferentes dimensões, como qualidade de vida, equidade social e preservação ambiental, bem como a existência de sinergias decorrentes da articulação entre setores.
A abordagem adotada demonstra que o planejamento urbano, quando estruturado de forma integrada, pode ampliar a geração de cobenefícios e potencializar sinergias entre políticas públicas, otimizando recursos e fortalecendo a resiliência socioambiental. Conclui-se que a incorporação de instrumentos de governança sistêmica, como a Plataforma, constitui uma alternativa promissora para a transição de modelos fragmentados para estratégias mais integradas, capazes de alinhar preservação ambiental, desenvolvimento econômico e justiça social em uma perspectiva de longo prazo.




