Planejamento público sob princípios sistêmicos: interdependências, lacunas, co-benefícios e sinergias em programas governamentais do Estado de Santa Catarina
Sobre o projeto
- Em andamento
- Equipe:
Rafael Lublo
José Ripper Kós - Publicações:
Planejamento público sob princípios sistêmicos: desenvolvimento de uma metodologia analítica para identificar interdependências, lacunas, co-benefícios e sinergias em programas governamentais - estudo de caso no Estado de Santa Catarina. Tese de Doutorado, Universidade Federal de Santa Catarina, 2026 (em andamento).
Em um contexto marcado pela crescente complexidade dos desafios socioambientais e pela urgência de respostas institucionais mais integradas, a persistência de abordagens fragmentadas no planejamento público revela um espaço crítico entre o avanço teórico da sustentabilidade e sua operacionalização na governança territorial. A literatura contemporânea tem enfatizado a necessidade de compreender sistemas urbanos como sistemas socioecológicos interdependentes. No entanto, apesar desses avanços, práticas institucionais permanecem predominantemente estruturadas por lógicas setoriais, limitando a capacidade de leitura integrada de políticas públicas e dificultando a identificação de relações estruturais na governança territorial.
A pesquisa parte da premissa de que uma abordagem analítica orientada pelo pensamento sistêmico pode evidenciar relações estruturais frequentemente invisibilizadas no planejamento público. Nesse sentido, tem como objetivo desenvolver e aplicar uma metodologia analítica capaz de identificar relações entre programas governamentais, evidenciando padrões de interdependências, lacunas de atuação, potenciais co-benefícios não explicitados e oportunidades de sinergia no processo de planejamento territorial.
A investigação articula uma base conceitual fundamentada na Plataforma Ecossistemas das Cidades, desenvolvida no âmbito do Laboratório de Ecologia Urbana (LEUr/UFSC), que organiza o território urbano a partir de quinze eixos sistêmicos interdependentes, desdobrados em subgrupos e critérios analíticos. Essa estrutura oferece uma lente para a leitura do planejamento público, permitindo examinar como diferentes políticas públicas (ambientais, sociais, econômicas e institucionais) se articulam no território. O objeto empírico compreende os 22 programas de governo do Estado de Santa Catarina no ciclo 2023–2026, entendidos como unidades analíticas de um sistema de planejamento público subnacional, possibilitando a análise relacional entre políticas públicas em um contexto institucional concreto.
Do ponto de vista metodológico, a pesquisa desenvolve a Matriz Analítica Sistêmica baseada na Plataforma Ecossistemas das Cidades e estruturada em quatro etapas principais. A primeira consiste na consolidação da base teórica, com articulação crítica entre referenciais para definição de interdependências, lacunas, co-benefícios e sinergia. A segunda etapa envolve o desenvolvimento da metodologia a partir dessa arquitetura, com definição de caminhos analíticos e procedimentos de classificação. A terceira etapa corresponde à aplicação empírica da matriz aos programas de governo, por meio de análise documental sistemática e codificação binária das relações entre programas e eixos sistêmicos. Por fim, a quarta etapa compreende a análise e interpretação dos resultados.
Como resultados esperados, a pesquisa produzirá uma leitura estruturada e evidenciada das relações entre programas governamentais, tornando explícitos padrões de interdependência, lacunas de articulação, potenciais co-benefícios e oportunidades de sinergia no planejamento público estadual. Espera-se, assim, contribuir para a redução da fragmentação institucional, oferecendo subsídios analíticos para processos decisórios mais integrados e estratégicos. Ao responder a uma lacuna metodológica concreta, o projeto entrega uma ferramenta analítica replicável, aplicável em diferentes contextos e escalas de governança, com potencial de apoiar a formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas. Para além da produção acadêmica, a pesquisa se orienta pelo compromisso de fortalecer a interface entre ciência, instituições públicas e sociedade, contribuindo para o desenvolvimento de capacidades institucionais alinhadas à sustentabilidade e à governança territorial integrada.


